Íntegro, comprometido, solícito, gentil, divertido, honesto, grande amigo, humanista. Esses são alguns dos adjetivos que ouvimos e lemos recentemente para descrever nosso colega Ricardo Kubala, que nos deixou precocemente no dia 10/04/2021, vítima de um aneurisma cerebral, aos 53 anos de idade. Foram tantos os depoimentos de pessoas chocadas e entristecidas que seria possível afirmar seguramente que Ricardo foi uma unanimidade entre os amigos e colegas de profissão, sinônimo de integridade e afeto.

        Nasceu em 26 de outubro de 1968, no Rio de Janeiro, em uma família de músicos. Seu pai, o polonês Zygumnt Kubala, foi um importante violoncelista atuante no Brasil e sua mãe, Lina Kubala, era pianista.

     Ricardo se formou Bacharel pela Faculdade Santa Marcelina, realizou cursos de aperfeiçoamento na Academia da Filarmônica de Berlim (bolsa de estudos Sociedade Vitae) e na Escola Superior de Música de Karlsruhe (bolsa de estudos DAAD e CAPES), orientado respectivamente por Wilfried Strehle e Madeline Prager. Participou de vários festivais e cursos, ministrados, entre outros, por Alberto Lysy, Max Rostal, Norbert Brainin e Quarteto Chillingirian. Obteve os títulos de Mestre e Doutor em Música na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

         Atuou em diversos grupos de câmara premiados pela crítica, entre eles a Orquestra Solistas do Brasil (prêmio APCA de melhor conjunto de câmera) e Quarteto de Cordas de São José dos Campos (prêmio APCA de melhor conjunto de câmera). Como músico convidado da Orquestra de Câmara Solistas de Trondheim (Noruega), participou de gravação de CD pelo selo Deutsche Grammophon (prêmios Amadeus Music Award e Golden Harmony Award), além de ter se apresentado em vários países da Europa e Estados Unidos.

       Realizou várias estreias de obras do repertório brasileiro e contemporâneo para viola, resultado de parceria com diversos intérpretes e compositores. Como membro do Núcleo Hespérides, que se dedica à pesquisa e divulgação da música das Américas, tomou parte de gravação do CD “Sons das Américas” (selo SESC).

      Foi professor de música de câmara, na Faculdade Santa Marcelina, e de viola, na Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto. Lecionou também em vários festivais, como os de Campos de Jordão, Londrina, Pelotas e Gramado, e ministrado master classes em universidades na America Latina. Atualmente era professor de viola no Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (UNESP).

        Grande apoiador e incentivador da Abrav, foi membro do Conselho Fiscal desde o Primeiro ENVIO, em 2015.    

     

 

 

 

 

 

 

 

      Para além do currículo impressionante, sua disponibilidade intelectual transcendia os limites do instrumento. Nas palavras de seu amigo Luiz Amato "ele era dono do seu tempo e do tempo dos seus amigos, levava tudo para o seu fluxo de tempo, para dentro de sua percepção ultra, super aguçada, família, amigos, inimigos, cachorro, casa, viola italiana, livros, política.”

      Além de excelente professor, para seus alunos foi figura de apoio e referência em todos os aspectos da vida profissional e muitas vezes também no plano pessoal. Extremamente comprometido, suas aulas frequentemente extrapolavam os horários determinados e seu principal alicerce era a busca incessante do som bonito.

     O desafio para os que ficam após sua partida, alunos, amigos, família, é de fazer surgir algum significado nessa perda irreparável. O sentimento geral é que devemos ser capazes de fazer jus à sua existência e lutar para perpetuar seus ideais éticos, estéticos e intelectuais, permitindo que sua chama não se extinga jamais. Esperamos ser capazes.

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